segunda-feira, 23 de março de 2020

EM TEMPOS DE QUARENTENA – COVID-19



Em tempos de quarentena face o surgimento do covid-19, em que estamos reclusos em nossas casas, com nossas mentes fervilhando face às más notícias que recebemos via “grande mídia” a cerca das perspectivas para o presente e ainda mais importante para o futuro próximo, não só dos problemas imediatos referentes a saúde, mas principalmente das consequências econômicas nefastas que essa crise pode causar para o país e para o mundo, que de fato são imprevisíveis e apavorantes.

Então não é fácil, nesse momento, manter a calma, a tranquilidade, mas é fundamental não entrar em DESESPERO, PÂNICO, nem muito menos fomentá-lo, para que ele não se instale definitivamente entre nós. Entretanto essa atitude é comumente exercida por algumas pessoas, consciente ou inconscientemente, principalmente via WhatsApp. Essa ferramenta maravilhosa, que foi criada para promover a reunião e o congraçamento entre as pessoas, mas como tudo na vida, muitas vezes tem a sua utilização desvirtuada e acaba provocando grandes transtornos e até mesmo grandes tragédias. Neste sentido é primordial que façamos um hercúleo exercício de não ficar a todo momento nos atualizando das notícias sobre a PANDEMIA via whatsApp, procure usar o aplicativo para diminuir a distância que estamos sendo forçados a manter das pessoas que queremos bem. E principalmente não repasse informações sem a devida análise e conferência de autenticidade, não ajude a fortalecer essa corrente do mal, que infelizmente acaba se formando com a proliferação das conhecidas fake News (mentiras – na nossa bela língua). Eu particularmente adotei a premissa de me atualizar sobre os dados da crise somente em dois momentos do dia, no início da manhã e no final do dia, sempre através das informações provindas dos órgãos oficiais, e não vejo absolutamente nada sobre o assunto no “ZAP”, acho absolutamente desnecessário. Em alguns grupos em que já identifiquei pessoas altamente apavoradas, quase em pânico, já nem abro as mensagens que delas são originadas. Nesses casos procuro retornar informações que possam de alguma forma agregar coisas boas para elas.

Perceba que o ser humano é muito estranho, muito complexo, senão como explicar que mesmo dentro de grupos de pessoas que tem estudo formal considerável e algumas vezes são comprovadamente bem informadas, há aquelas que se deixam contaminar por informações completamente sem sentido, já que se o leitor se der ao trabalho de ler a referida informação, uma segunda e uma terceira vez e em seguida refletir rapidamente sobre ela, no mínimo ele vai desconfiar da inconsistência da mesma, pois a lógica ou talvez outros aspectos que compõem a sua noção de razoabilidade vão fazer com que ele não prossiga com a disseminação daquela informação mentirosa e extremamente danosa a sociedade. Por outro lado é muito fácil entender como a população com menor nível de instrução, que para o nosso azar é a esmagadora maioria no Brasil, é ainda mais vulnerável ao pânico, ao se ver diante de tais informações maléficas e não ser capaz de discernir sobre sua veracidade e nesse caso o dano é aumentado em projeção geométrica, infelizmente.

Há ainda um outro fator que me preocupa muito, que é o fato do ser humano em sua essência ser extremamente egocêntrico e egoísta, e vejam não me refiro especificamente “às bestas radicais” que se dizem de esquerda e de direita que continuam a se digladiar nas redes sociais e até mesmo pessoalmente, e sim as demais pessoas que nem nestes momentos de crise extrema conseguem agir digamos “fora da caixa”. Falo especificamente do caso de alguns funcionários públicos que ouvi esbravejarem que o governo tem que parar tudo, inclusive os transportes públicos. Mas eles esquecem que se esse seguimento parar, como é que as pessoas que trabalham nos serviços essenciais como hospitais, clinicas, farmácias, supermercados, delegacias de polícia, presídios, órgãos públicos envolvidos na gestão da crise e etc..., que em sua maioria não possuem transporte próprio, vão fazer para chegar aos seus locais de trabalho para atender a todos que precisem, inclusive a esses que falaram tal asneira, caso necessitem de atendimento médico hospitalar, ou simplesmente necessitem repor seus mantimentos. 

Talvez esse comportamento seja amparado pela fantasiosa segurança que eles tem em relação a garantia do recebimento de seus salários, o que os trabalhadores da inciativa privada e os autônomos não tem. Porém eles estão esquecendo que se a economia parar de fato, no máximo no terceiro ou quarto mês, dependendo da saúde financeira do ente federado (Governo Federal, Estado ou Município), a arrecadação estará de tal forma comprometida, pois estará sendo alimentada apenas pelas empresas que tem autorização especial para funcionar, assim como daquelas que podem fazer o chamado “trabalho em casa”, a venda pela internet ou o serviço de venda por entrega domiciliar (o delivery), mantendo assim algum faturamento, sem entretanto ser o bastante para manter a máquina do governo (o patrão dos funcionários públicos), em funcionamento sustentável a ponto de ter como honrar os salários dos seu servidores. Preciso ressaltar que eu também sou funcionário público há 34 anos, e no meu caso em particular estou duplamente preocupado, pois como não faço parte da pequena casta que ganha bons salários no serviço público, portanto sempre precisei e ainda hoje preciso complementar minha renda com uma atividade autônoma, que a princípio está com sua rentabilidade altamente comprometida, como muitas outras no nosso país em época de PANDEMIA.

Para finalizar essa breve resenha, devo externar a minha enorme indignação com o fato ocorrido na última semana. Tenho 56 anos de idade, ou seja, menos de 65 anos, porém na condição de diabético há mais de 7, 8 anos, sei lá ao certo, e apesar de estar gozando de boa saúde, graças ao bom Deus, pois estou medicado e com índices glicêmicos controlados, já que mantenho um acompanhamento médico regular, desde a descoberta desse inferno (DIABÉTES). Fui informado pela minha chefia que eu estava dispensado do trabalho por integrar um dos grupo de risco, em função da referida doença. Logo eu teria que providenciar um atestado ou laudo médico para enfim formalizar a minha dispensa do trabalho. Devo ressaltar que antes que eu pudesse solicitar tal dispensa ela me foi imposta pela instituição, fato que eu devo louvar, é claro. Mas voltando ao motivo real da minha contrariedade, ao ligar para a clínica onde sou atendido por uma médica endocrilogista há mais de 7 anos, ou seja, uma profissional que tem o meu histórico de tratamento, que pode acima de qualquer suspeita, atestar a existência da minha doença crônica, que infelizmente não tem cura. Queria EU não ter esse “privilégio” e estar trabalhando normalmente. Entretanto ao falar com a secretaria recebo a informação de que tenho que ir a clínica, pois a direção da mesma orientou seus médicos a só fornecer atestados e laudos na presença do paciente. Situação que me pareceu absolutamente irracional, sem nenhuma lógica, pois na minha “santíssima ignorância”, esse procedimento deveria ser rápido e sem a exigência da presença do paciente, pois trata-se da simples comprovação da existência da moléstia, e o documento poderia ser entregue a um portador do doente na própria secretaria da clínica, pois o mesmo só vai respaldar uma realidade que é facilmente comprovada no histórico de cada paciente, ou seja, que o mesmo é, infelizmente, portador da referida doença crônica, que não tem cura.

Devo ressaltar que, fui informado na minha última consulta com a mencionada médica, que já existe uma possibilidade de cura, ou “quase cura”, se é que essa afirmação pode ser considerada cientifica, trata-se de uma cirurgia bariátrica, para promover alterações no funcionamento do organismo do diabético, praticamente eliminando o controle via remédios. Mas isso é uma outra história, afinal é um processo muito agressivo e perigoso, e na minha modesta opinião, ainda esta em um estágio inicial, e até o momento não produziu grandes resultados práticos, portanto a priori não tem cura mesmo.

Além do mais se levarmos em consideração que a recomendação das secretarias de saúde pública em todos os níveis de governo é que as pessoas dos grupos considerados mais vulneráveis não saiam de casa, nem muito menos se dirijam a clinicas e hospitais sem haver a extrema necessidade, não tem sentido esse tipo de postura, certo? Resumindo dá pra entender uma MERDA dessas?


Rodolfo S Cerveira

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

O FINAL DE ANO – O REVEILLON




Eis que chegamos a mais um Final de Ano, a mais um Reveillon. Sim a esta celebração tão difundida e exaustivamente comemorada mundo a fora. O primeiro povo a celebrar a festa da passagem do ano, teria sido o da Mesopotâmia, área que corresponde hoje a os territórios do Iraque, Kuwait, Síria e Turquia. Como eram povos que dependiam inteiramente da agricultura para sobreviver, eles celebravam o fim do inverno e o início da primavera, época que se iniciava a nova safra. Com isso, a festa de passagem dos mesopotâmicos não se dava na noite de 31 de dezembro, mas sim na noite dia 22 de março, data do início da primavera no Hemisfério Norte. Historicamente há diversos registros do que seria o pretenso começo da comemoração do ano novo ocidental, mas alguns historiadores apregoam a um decreto do imperador romano Júlio César, a fixação do 1º de janeiro como o “dia do ano novo” em 46 a. C. Outros dizem que foi a partir de 1582 – quando o calendário gregoriano passou a vigorar, adotado pelo papa Gregório 13 no lugar do calendário Juliano, que o primeiro dia do ano passou a ser o 1° de janeiro. Enfim não é o objetivo desta mensagem uma discussão histórica a respeito, por isso vou me ater ao termo especificamente. Réveillon que vem do termo francês réveiller, termo que surgiu no século 17, que significa “acordar”, logo foi feita uma analogia com a expressão - é o “despertar do ano” - e acabou pegando e foi popularizado mundo afora.

Minha relação com a festa do Reveillon, não é muito amistosa, talvez porque na minha lembrança sempre ficou mais latente o lado profano da data, ou seja, as festas propriamente ditas que quase sempre são regadas à muita comida e bebida, onde são cometidos exageros de toda ordem em nome da alegria, mas que algumas vezes acabam em situações indesejáveis, já que muitos acidentes e desastres historicamente acabam manchando a data.

Por outro lado o final de um ano e o consequente nascimento de um novo, assume um caráter sublime, em certo sentido até mágico, porque simboliza a possibilidade de uma nova chance, de um novo olhar e pensar sobre novas e velhas questões, da esperança de que poderemos SER e FAZER melhor, de conseguirmos de fato nos desenvolver como seres humanos, afinal não seria essa a verdadeira ESSÊNCIA do desabrochar de um novo ano.

Para nós DIABÉTICOS, não nos é dado o direito a relaxar e “cair” na tentação da comilança que a data normalmente nos propícia, logo só nos resta diminuir o prejuízo, ou seja, excessos menores proporcionam danos menores. É algo para se pensar, refletir e lembrar sempre, vcs não acham?

Um MARAVILHOSO 2020 pra todos, com muita Paz, Saúde, Amor e principalmente muita Sabedoria para viver intensamente o novo ano.

Rodolfo S Cerveira

terça-feira, 25 de junho de 2019

DOCE ILUSÃO

Há pouco mais de 8 anos, se minha memória não me trair, época em que recebi o diagnóstico de “estar diabético ou ser um diabético, enfim de que essa desgraça faria parte da minha vida, enquanto ela existisse”. Comecei uma trajetória que é bem própria da maioria das pessoas que recebem esse tipo de notícia, mudei hábitos alimentares, perdi peso rapidamente, adotei uma rotina de exercícios regulares e adicionei a minha existência o GLIFAGE. De certo que isso tudo resultou em quase dez quilos a menos, as taxas voltaram a patamares aceitáveis, principalmente a GLICOSE, e a vida ia caminhando sem maiores solavancos, assim eu achava!


Com a experiência adquirida em anos de pretensas bem e mal sucedidas inciativas de perda e controle de peso anteriores ao diagnóstico, eu já tinha plena consciência de que é absolutamente impossível viver sob um regime severo de controle absoluto de hábitos alimentares e atividades físicas indefinidamente, principalmente para mim que fui gordo na pré-adolescência e como já disse em outro post desse blog, tenho a cabeça de gordo, ou seja, penso em comida mesmo quando estou saciado e necessariamente sem fome, pois o ato de comer e curtir o sabor do alimento é verdadeiramente inebriante. A consequência disso é que com o passar do tempo há um relaxamento natural, e não dá pra negar, bem gostoso, onde você se dá o desfrute de comer um chocolate, tomar um refrigerante, comer um bolo, um doce, abusar um pouco no arroz, no feijão, no macarrão, que mesmo de vez em quando vai te fazendo um mal absurdo, mas como eu conseguia reverter a situação, digo melhor, baixar a minha glicose rapidamente, a "SEM-VERGONHICE ALIMENTAR, ia avançando e literalmente “me fudendo”.

Mesmo tendo em mente que desde o primeiro momento o médico me alertou que tais atitudes poderiam levar a danos irreparáveis, ou seja, o diabetes pode causar danos irreversíveis de toda ordem além dos mais danosos e conhecidos, relativos a problemas de visão, perda de órgãos amputados, problemas de desempenho sexual, que são os verdadeiros traumas já consagrados na sabedoria popular. Mas o que posso dizer é que para um bom comedor como eu, um verdadeiro glutão, há sempre uma dose de questionamento acerca do que é mais relevante, os prazeres da carne, da vida ou a melhor qualidade e ou quantidade de vida. Pode parecer um questionamento infrutífero, sem nenhum sentido, em que a resposta parece óbvia, mas de fato é algo que preexiste a nossa condição de seres pensantes.

O tempo foi passando e veio o aumento da dosagem do GLIFAGE (de um para dois e de dois para três, até chegar nos quatro comprimidos diários que passei a tomar desde a última ida ao endocrinologista), a adição do JARDIANCE e por último a ASTORVASTATINA CÁLCICA, e não tenho como contestar que minha capacidade de baixar a taxa de glicose foi drasticamente diminuída. Basicamente isso transmite a seguinte mensagem, cada vez que eu fizer alguma “merda”, leia-se sair da linha, do controle alimentar, poderei acarretar um dano muito mais sério ao meu organismo, e o que é ainda pior, poderá ser irreversível. Pois esse é em tese o desenvolvimento natural dessa praga chamada diabetes.

Aproveitei a consulta para fazer alguns questionamentos a minha médica, principalmente sobre a hipótese de que se eu conseguisse engrenar na minha atividade física, perdesse o excesso de peso e enfim fizesse uma dieta mais indicada a minha condição de doente crônico - fato este que felizmente já comecei desde o dia 23 de maio último e que espero manter indefinidamente - enfim se diante desse quadro eu poderia diminuir e ou eliminar algum remédio que tomo diariamente. A resposta foi desalentadora e devastadora para minha autoestima, e vou repassar na íntegra a seguir; “mesmo que você se torne um atleta de altíssimo nível, atinja o peso ideal, mantenha um controle alimentício 100% eficaz, ainda assim não seria garantia de eliminar um ou mais remédios, pois iria depender enormemente da reação do seu organismo a esse processo, e ainda afirmou que a hipótese mais eficaz para que eu me livre do uso de remédios é uma cirurgia bariátrica para “CURAR” o diabetes, bastante utilizada e que tem apresentado excelentes resultados, pelo menos no curto prazo, de cinco a dez anos”. Devo admitir que a ideia de cirurgia não me agrada nenhum pouco, mas como diz o ditado, “o futuro a Deus pertence”.

Rodolfo S Cerveira

sexta-feira, 14 de junho de 2019

O SONO BOM DE CADA DIA



Há uma certa crença popular que apregoa que os seres humanos só dão valor a muitas coisas que tem, principalmente as mais simples e comezinhas, a partir do momento em que as perdem, digo melhor, em certo sentido nós somos indivíduos muito acomodados e lenientes em relação as grandes benesses que nos foram concedidas desde o nosso nascimento e até mesmo àquelas que foram naturalmente agregadas no transcorrer de nossas existências. Na verdade, estou me referindo genericamente a vários aspectos da vida, tais como; nossos sentidos e percepções, o ar que respiramos, ao fato de afortunadamente estarmos saudáveis e sem dor, enfim a tudo que sentimos e usufruímos, e que muitas vezes não nos damos conta da sua devida importância.

Na presente resenha vou concentrar o foco no chamado SONO BOM, naquela faculdade maravilhosa de se desligar temporariamente de tudo, gozar de um merecido descanso e enfim retornar a velha rotina renovado. Pra você parece a definição de que? Especificamente? De um maná dos Deuses, de uma simples e boa noite ou mesmo de período significativo de sono reparador, ou de uma interminável noite sem conseguir dormir. Acredito que existem respostas das mais variadas para essa pergunta tão simples e banal, com causas e efeitos mais ou menos danosos a saúde e ao bem estar de cada um, afinal quem pode prescindir do bom sono?

A ciência afirma que são necessárias 8 horas de sono diárias em média para se manter uma boa saúde física e psíquica. Eu particularmente nunca dormi mais que 6 horas diárias, de certo que estou fazendo essa afirmação considerando o período que me lembro bem, a partir dos meus 6, 7 anos. A minha adolescência foi o melhor período de sono que já tive na vida, com certeza em consequência da minha intensa atividade esportiva de aproximados 2 horas diárias, como atleta de judô, depois como nadador e por último com as 3 a 4 horas diárias como jogador de voleibol, que perduraram até os 20 anos. Foi uma época memorável no quesito sono, pois eu literalmente deitava, mal terminava de fazer as minhas breves orações e literalmente “morria”, de tão pesado que era o sono, e renascia no dia seguinte, basta dizer que quase nunca eu lembrava de algum sonho. Algumas lembranças esparsas eram tão vagas que eu tinha dúvida de sua origem, seriam advindas de um sonho?

O tempo foi passando, me formei aos 21 anos, o foco da minha vida mudou sensivelmente, novas preocupações foram agregadas, casei aos 24 anos, aos 32 veio a primogênita, dois anos e três meses depois a segunda filha, o cerco das responsabilidades e preocupações foi se fechando e o sono já não tinha tamanha qualidade, nem mesmo igual quantidade, pois passei a dormir em média de 4,5 a 5 horas diárias. Depois dos 40 anos a descoberta da fatídica e incontestável hérnia de disco lombar, que segundo o meu médico em função de seu tamanho teria que receber um tratamento digno e sério para evitar muito sofrimento futuro (dor). Adeus a dormida de bruços, tão apreciada outrora, pois cinco minutos era o bastante para causar um incômodo terrível. De peito pra cima acabou perdendo o seu digamos “selo de validade”, explico melhor, deixou de ser uma posição bastante confortável, causando problemas depois de 15, 20 minutos. Logo só sobrou a chamada dormida de lado, com o famoso travesseiro entre as pernas. Resolveu? Não porque depois de um tempo na referida posição o peso do corpo começa a provocar dor no ombro e nos braços, resultando em uma intensa troca de posição durante boa parte da noite, o que ocasionou uma queda drástica da qualidade do sono, pois fica difícil nessas condições atingir o estágio de sono mais profundo. Há ainda um outro fator a considerar, as dores no corpo (ombros e mesmo na lombar, provocados pela hérnia de disco), diminuem a possibilidade de me manter deitado por mais tempo, portanto muitas vezes acordo mais cedo por causa da dor no corpo.

Alguns anos depois eis que se apresenta a desgraça chamada de diabetes, ai meu camarada, me perdoe o termo, “fudeu tudo”, pois além das limitações advindas da hérnia de disco e das inúmeras complicações que esta dita patologia pode causar na saúde de um ser humano, fui obrigado a passar a ingerir medicamentos que acabaram provocando um outro fator de depreciação da qualidade do meu sono, que é a necessidade de levantar pelo menos uma vez por noite para fazer xixi. Logo eu que nunca precisei fazer isso na minha vida pregressa inteira. Que merda!

Só para completar esse relato que acreditem ou não, não é um calvário, é a singela  realidade dos fatos, devo dizer que passei a acordar em algumas noites 3, 4 horas da madrugada, achando que ia ter um infarto ou coisa parecida, suando frio, com batimentos cardíacos acelerados, sem conseguir respirar e muito menos conseguir dormir depois do mencionado evento. Eis que chego ao diagnóstico de “síndrome do pânico”, mais uma MERDA para perturbar o meu tão almejado bom sono. De fato comecei a lembrar de alguns episódios esparsos na minha vida inteira, desde a infância, e conclui que a referida síndrome sempre esteve presente, eu só não tinha consciência disso. E reconhecer esses fatos foi fundamental para que eu continuasse mantendo ela no seu lugar, sem causar enormes transtornos e se Deus me ajudar espero não precisar recorrer a um médico para tanto.

Em outro post farei outros relatos acerca da síndrome do pânico, afinal aqui é um blog de um diabético que tem essa “porra” de síndrome também, fazer o quê?


Rodolfo S Cerveira

sexta-feira, 31 de maio de 2019

AMIZADE E IRMANDADE




Nesta semana perdi um querido amigo diante dos seus 51 anos de vida, literalmente na chamada “flor da idade”, para o câncer de intestino e estômago. Apesar de no meu subconsciente essa possibilidade nunca pôde ser descartada, pois tratava-se de uma enfermidade muito agressiva, em um lugar naturalmente de pouca expectativa de cura, e considerando o remédio indicado, a quimioterapia, que é igualmente invasivo e avassalador, a minha zona de consciência era povoada por um pensamento de que era preciso ter esperança de que o quadro pudesse ser revertido. Acredito que só a força do amor a vida que ele sempre demonstrou e a forte crença no milagre da cura dos seus parentes e amigos é que teimava em não encarar o quadro que se apresentava tão dramático.

Voltando um pouco no tempo, lembro de como se deu o nosso encontro. Na verdade, eu trabalhei durante quase quatro anos na mesma instituição com um irmão de sangue dele, e não fazia ideia desse pretenso parentesco. Nessa época minhas filhas eram pequenas e eu ia buscá-las no colégio todos os dias, coisa que ele também fazia diariamente para também buscar as suas duas herdeiras, e repetidas vezes o vi na frente do referido colégio e não podia deixar de notar sua enorme semelhança física com o meu amigo de trabalho, e isso me deixava intrigado. Enfim o tempo foi passando e um belo dia minha esposa me informou que a minha filha mais nova tinha um aniversário de uma colega de turma em uma lanchonete. Quando chegamos para buscá-la notei que a colega era justamente a filha daquele que eu sempre via e achava parecido com o meu companheiro de “trampo”, que não por acaso estava por lá também, o que levou-me a pensar que de fato se tratava de dois irmãos de sangue, o que pude comprovar naquele mesmo dia.

Como colegas de turma nossas filhas foram se aproximando e não demorou muito para que fossemos formalmente apresentados e a partir daí florescesse uma amizade muito intensa, para ser bem sincero, acredito que foi um verdadeiro encontro de almas afins, algo muito raro de acontecer, pelo menos nos meus 55 anos de existência não consigo reportar ter vivido mais de dois outros casos semelhantes, porém com toda a certeza em nenhum deles o sentimento de irmandade alcançou tamanha relevância, tão característica da presente experiência aqui descrita. A diferença sanguínea, de pensamento e de personalidades bem distintos, jamais foi um empecilho para o estreitamento da relação, que desde o início foi pautado pelo respeito e pelo apreço de um pelo outro. Durante mais de 10 anos essa amizade foi se fortalecendo, contando sempre com muito companheirismo e uma convivência muito prazerosa, fazendo com que o laço que nos unia se tornasse ainda mais forte.

Em pouco mais de um ano e meio, aquilo que começou com uma suspeita de ser um problema de refluxo, que o fez perder mais de 20 quilos e que chegou ao diagnóstico fatídico de câncer no intestino e estômago. Fez de seus últimos 45 dias de vida, período em que esteve internado em um hospital, um verdadeiro inferno austral, pois passou boa parte do tempo sedado, sem conseguir se alimentar, literalmente mantido vivo por suprimentos alimentares e soro, em função das intensas dores a que era acometido. O que ocasionou ainda mais perda de peso corporal, levando a sua morte no último dia 27/05/2019.  

Se nós seres humanos, conseguíssemos nos desnudar de nosso extremo egoísmo, conseguiríamos minimamente ser confortados com a certeza de que seu sofrimento atroz enfim acabou, e não estaríamos tão abalados e consternados com sua partida tão prematura, afinal não poderemos mais gozar de sua presença entre nós.  Espero sinceramente que um dia “oxalá” consigamos atingir esse estágio de evolução.

Só me resta desejar ao meu querido amigo e irmão, onde quer que esteja, muita paz e conforto no seu coração reconhecidamente tão grande, onde havia lugar para todos os que viessem ao seu encontro. Vá em paz amigo.

Rodolfo S Cerveira

sexta-feira, 24 de maio de 2019

UM BREVE ADEUS



A sensação de pertencimento é algo muito próprio do ser humano, faz parte de sua essência, mesmo que alguns tentem negar essa digamos “verdade absoluta”, se é que podemos efetivamente assim denominar. Ainda assim há uma série de conflitos e incongruências que precisam ser devidamente equacionados no sentido de possibilitar uma convivência relativamente harmônica entre os diversos “tipos de seres humanos”, que habitam nesse nosso plano. E só para reforçar essa ideia e corroborando com a máxima que diz que “ninguém é uma ilha’, o ser humano pode ser definido como um animal essencialmente social, que necessita viver na companhia de seus pares.

O momento do ADEUS, da partida, àquela hora em que você precisa dissociar-se da presença física de um desses seres humanos, “UNO”, verdadeiramente especial, aquele que se fez presente e relevante em sua vida, seja por suas ideias, seja por suas ações e posturas ou ainda pela sua maneira singular de ver e viver a vida. Enfim a dor de perder uma pessoa que tamanha representatividade tem e sempre terá na sua agora ainda mais ingreme caminhada, é desalentadora, mas de fato é algo que precisa ter o seu seguimento, seguir o seu curso, que por menos natural que possa parecer, é aquilo que não só os outros, mas acima de tudo você, espera de si mesmo.

Independente da religião, da crença ou da filosofia que cada um de nós esta intimamente ligado, reaprender a viver com a perda de alguém, com a ausência extremada, afinal não haverá uma segunda chance, é um processo doloroso e traumático e que requer uma extrema dedicação no sentido de nos readaptarmos ao universo do qual fazemos parte, refazendo nossos passos e redimensionando nossas metas, reconstruindo a teia inicial daquilo que nós temos de mais primitivo e genuíno.

De fato esse acontecimento tem reflexos em todos as áreas da nossa vida, mas em especial a nossa saúde física e psíquica é sem sombra de dúvidas, o ponto nevrálgico da questão. A forma como corpo e mente respondem a esses súbitos ataques externos é surpreendente sempre, sob todos os aspectos, ou seja, a forma como reagimos e nos posicionamos em relação ao ADEUS é um fator preponderante para a manutenção e ou preservação de nossa saúde em geral.

Como estamos falando de saúde, o meu companheiro inseparável e indesejável, o diabetes, não poderia ficar de fora, pois ele se faz sempre presente em todas as manifestações do meu corpo e da minha mente, queira eu ou não, goste eu ou não. Logo a maneira como eu vou lidar com o ADEUS também é um fator determinante da minha glicemia, que por sua vez é determinante para o bom andamento da minha visão, para o mais apropriado crescimento da minha próstata, enfim pra tudo quanto é “PORRA” nessa minha vida de diabético.

Eu não poderia terminar esta resenha sem fazer uma menção a “um breve adeus” a um querido amigo que se foi há poucos meses, com apenas 50 anos, que era diabético, que em função disso se fragilizou diante de outras doenças oportunistas, que fez escolhas bem diversas das minhas, mas que acima de tudo sempre respeitou as minhas escolhas, assim como eu respeitava as suas, o que acabou por nos tornar dois bons amigos. Que sempre viveu intensamente e desregradamente, sem nunca ter adotado nenhum cuidado ou restrição de qualquer natureza, em prol da preservação de sua saúde, muito pelo contrário cometeu os maiores desatinos alimentícios e comportamentais que se possa imaginar, principalmente quando lembramos de sua condição (diabético), e que por tudo isso acabou pagando um preço muito alto, nos deixando de forma tão prematura. Mas nunca durante toda a sua existência, da qual tive o prazer de privar, deixou transparecer a ninguém algum sentimento menor, seja de desrespeito aos seus pares, de falta de empatia, de apreço a dogmas e conceitos muito discutíveis, de ideias preconceituosas. Na realidade a mim parecia que a única lei a que ele se rendia era aquela que prega um imenso amor a vida acima de tudo e de todos, o chamado viver bem a vida, com a maior intensidade possível, não importando as consequências disso. Fique em paz meu amigo!

Rodolfo S Cerveira

terça-feira, 11 de setembro de 2018

SOMOS ESSENCIALMENTE EGOISTAS



“Os brasileiros não aprenderam a pensar no coletivo, só pensam em si mesmos”. Antes que eu seja “apedrejado em praça pública”, pela audácia de expor tal afirmação, preciso ressaltar que neste post quero convidar você leitor a pensar sobre esta frase com muito carinho e especial atenção. De fato, é uma afirmação um tanto pretensiosa, mas que não pode ser em nenhum momento totalmente desprezada.


Faz parte do senso comum entre a comunidade científica, formadores de opinião, pensadores e etc..., que as sociedades que foram submetidas a grandes traumas, naturais ou não, como guerras e ou grandes desastres ou tragédias naturais, acabam sendo forjadas por esses eventos, e se tornam mais solidárias e efetivamente mais propícias ao pleno exercício do amor ao próximo mais genuíno, que perpassa necessariamente pela preocupação com o conjunto dos seres que compõem a sua comunidade, seja no âmbito do micro cosmos, como a família, o bairro, ou do macro cosmos, como o Estado ou o País. Dessa forma é nesse momento que podemos observar que a afirmação em questão neste post, tem o seu grau de relevância.


Façamos o seguinte exercício, vamos lembrar do enorme transtorno causado pela greve dos caminhoneiros ocorrida há poucos meses no Brasil. De uma maneira geral no início da greve, a grande maioria dos brasileiros era solidária a causa dos caminhoneiros, afinal suas reinvindicações eram muito justas e dessa forma apoiava o movimento incondicionalmente. Mas com o passar do tempo a opinião pública começou a repensar a sua posição acerca da questão, uma vez que começava a se tornar latente os efeitos e os transtornos que a greve estava causando na sua vida comezinha. Diante disso ficou ou não caracterizada a afirmação acima, pois muitas pessoas começaram a fazer estoques de comida, bebida, combustível, enfim tudo o que fosse possível estocar. E neste momento preciso fazer um parêntese, eu mesmo me peguei completando o tanque do carro, correndo atrás dos meus remédios de uso contínuo, nada mais justo, afinal preciso manter o meu diabetes sob controle, pois acima de tudo sou um indivíduo portador de uma doença crônica, mesmo tendo consciência de que existe um enorme contingente de pessoas país afora que sofre da mesma doença, ou seja, fazemos isso de forma inconsciente e automática, sem pensar se de alguma forma estamos prejudicando a coletividade, pois é fato que se todos fizerem seus estoques particulares, haverá falta de produtos no mercado, causando muito transtorno para todos, certo? O interessante é que só percebi que estava incorrendo neste erro quando estava saindo do posto com o tanque cheio ou quando já estava de posse de caixas extras de medicamento. Que “PORRA” é essa? Que espécie de pessoas somos nós? Somos um povo que não sabe o que é senso coletivo, e nesse instante é bom que seja dito que é bem diferente de ser solidário, pois isso o povo brasileiro comprovadamente sabe ser muito bem, “non é vero”.


Diante de tudo o que foi dito anteriormente neste breve post, poderíamos dizer que essa característica (dificuldade de pensar na coletividade), é inerente ao “ser humano” na sua mais simplória e sublime essência, ou como os sociólogos e demais “ólogos” de plantão diriam, depende também em grande parte do meio e do tempo em que ele vive. É bem verdade que se trata de um tema rico para discussão e reflexão. Mas o fato é que o ditado a seguir pode resumir enfaticamente o cerne desta resenha; “Farinha é pouca, meu pirão primeiro”.


Rodolfo S. Cerveira.

domingo, 22 de julho de 2018

EM TEMPOS DE CRISE


O ser humano tem se esforçado substancialmente no sentido de promover o aprimoramento da teoria que diz que “O PIOR ÓDIO É O DOS OUTROS, E NÃO O SEU”. Na verdade, pode-se entendê-la como uma metáfora que para nosso infortúnio, pode ser aplicada a tudo e a todos, e a qualquer tempo, principalmente nos momentos de crise, seja qual for sua origem e magnitude. O brasileiro em particular, que vive uma intensa e profunda crise moral tanto no que tange ao indivíduo em particular, como se considerarmos o espectro do coletivo, da sociedade como um todo. Onde os valores intrínsecos de sua moral, estão sendo questionados, aviltados e até certo ponto mutilados impiedosamente.

No mundo de hoje, é muito comum observarmos pessoas que apontam o seu dedo acusador na direção dos políticos, empresários e demais pessoas envolvidas em transações espúrias, e defini-los sumariamente como, corruptos, ladrões, a pior escória da nossa sociedade, é algo muito fácil e banal, pois são eles SIM, os responsáveis pelo enorme ataque ao sagrado “RECURSO PÚBLICO”. Seriam estes tão distantes e dispares dos que os apontam, será isso uma verdade incontestável. De fato, é esse o sentido da mencionada teoria acima, ou seja, todos os que apontam o dedo, de alguma forma ou em algum momento acabam cometendo pequenos atos, que em sua essência são considerados sim, corrupções menores, mas ainda assim “corrupção nua e crua”, portanto em certo grau acabam igualando seus atos aos dos que foram apontados, afinal roubar um tostão não é o mesmo que roubar um milhão? A moral da história não é rigorosamente a mesma? E o que é ainda mais preocupante é que quase sempre nem se apercebem disso, se consideram indivíduos acima de qualquer suspeita, sem pecados.

Antes de correr o risco de provocar uma indignação total entre os que por acaso estiverem lendo este breve Post, vou citar alguns exemplos de como isso se dá: Quando alguém paga a um franelinha ou a um funcionário público para ter uma vantagem, seja qual for a proporção; quando alguém fura uma fila de um banco ou qualquer outro estabelecimento; quando o sujeito estaciona em uma vaga preferencial de idoso ou deficiente; quando alguém se beneficia da extensão das pensões dos militares ou de algum outro feudo do funcionalismo público, onde estas excrecências ainda existem; quando em uma simples controvérsia de trânsito, onde a maioria das pessoas considera sempre o outro, o culpado; até mesmo quando alguém deixa de exercer uma vontade sua como casar com o ser amado, porque se o fizer perderá o direito a uma pensão de seu pai, e nesse caso esta de fato se beneficiando de um direito legal, mas será que o aspecto moral não esta sendo aviltado, eis uma bela pergunta a ser respondida por todos.

A questão principal não é só atribuir ao outro a culpa de todos os seus males, de todo o mal que pesa sobre a humanidade, mas reconhecer que todos tem que participar dessa correção de rumos, ou seja, é uma mudança que tem que ser feita de dentro para fora, do indivíduo para os outros e para o mundo e não o inverso. Não adianta achar que o simples ato de votar melhor, com mais responsabilidade é a tábua de salvação dos nossos problemas, que só esse fato basta para mudar o estado de falência moral, a que estamos acometidos. É preciso assumir uma postura mais positiva acerca do que vem a ser o papel de cada um na sociedade. Portanto é nesses momentos de extrema vulnerabilidade que precisamos reconhecer e reafirmar nossas bases morais e psíquicas, para não sucumbirmos aos diversos ataques aos quais somos submetidos durante a nossa caminhada.

Para terminar devo ressaltar ainda que apesar deste espaço ter sido concebido para falar de assuntos relacionados ao diabetes, acredito ser muito proveitoso eventualmente abrir espaço para outros temas relevantes, que afinal fazem parte da vida de todos nós, e dessa forma, influenciam diretamente no desenrolar desta malfadada enfermidade.


Rodolfo S Cerveira

terça-feira, 5 de junho de 2018

O TEMPO NA VIDA DE UM DIABÉTICO



            A noção de tempo e espaço é algo muito especial, literalmente surreal, e só para não perder a chance de fazer uma breve rima, irracional, afinal são grandezas, que por mais que o “ser humaninho” tente, ele não consegue e provavelmente jamais conseguirá ter controle sobre elas, sequer entendê-las de forma mais precisa e latente. Então o que dizer da maneira como esse ser encaminha a sua passagem por este plano, considerando em princípio a influência das mesmas nesse processo todo.

            Desde que nascemos nossa percepção das mencionadas grandezas é estabelecida de forma muito natural, até certo ponto alheia a nossa compreensão e vontade, mas quando vamos tomando consciência do quão importante elas são para nossas existências, do quanto se faz necessário desenvolver uma melhor compreensão e administração das mesmas, para que seus efeitos nos sejam mais favoráveis do que danosos.

            Ao crescermos, nos desenvolvermos, é certo que nem sempre é assim, pois há muita gente que cresce, mais não aumenta seus horizontes, suas perspectivas e nem muito menos sua visão, portanto literalmente “involuí”. Mas voltemos ao objeto deste breve post, no transcorrer de nossas existências vamos aprendendo a lidar com a volatilidade dessas duas grandezas, com sua complexidade e alcance, e quando conseguimos nos adestrar a ponto de absorver algum conhecimento que nos possibilite reconhecer e aproveitar as benesses que elas podem nos proporcionar, somos abençoados com o denominado BEM VIVER.

            A administração do tempo e do espaço na vida de um doente crônico, por exemplo de um diabético como EU, é ainda mais dramática e fundamental, pois o estabelecimento de metas e prioridades deve ser exercida ao extremo, maximizando o resultado do controle desses parâmetros, de forma que possa resultar em uma significativa melhora de sua qualidade de vida. Mesmo sabendo que se trata da manutenção e preservação de seu bem maior, sua saúde, de seu viver bem, não é algo tão simples como parece de ser implementado e principalmente de ser mantido e preservado, pois as tentações e desvios são inúmeros e quase sempre mais interessantes e mais prazerosos. É como se pode obsevar na linguagem da dramaturgia televisiva, o vilão é sempre mais interessante que o Mocinho, Será mesmo?

            De fato, pode-se até mesmo fazer um paralelo entre o desenrolar desse processo e uma guerra em que é preciso vencer as várias batalhas, para enfim ser declarado o grande vencedor da mesma. A grande questão é que, nesse caso as batalhas são diárias, intermináveis e intermitentes, em alguns casos repetidas vezes no mesmo dia, , e que exigem de cada um de nós muita determinação e sobriedade para não sucumbir as inúmeras perturbações advindas do exterior e também do íntimo de cada um de nós, principalmente quando se é um bom garfo, categoria na qual me incluo, digo melhor, aqueles que sempre comeram por impulso, com o olho, pode-se assim dizer “comem por esporte”, e não e tão somente com o “despertar e aviso” do estomago. Logo é preciso manter o foco em cada uma das batalhas diárias que travamos, em cada evento em que consigamos nos manter fiéis aos princípios e fundamentos do doente crônico comportado e comprometido com sua boa aventurança, algo que, pra ser bem sincero, se assemelha muito a uma verdadeira utopia. Pois trata-se de uma tarefa bastante árdua, mas que merece um hercúleo esforço para ser alcançada, afinal o prêmio é ter uma vida mais aprasível.


Rodolfo S Cerveira.

domingo, 18 de março de 2018

CUIDADO COM O DESLUMBRAMENTO.



Alguém já vaticinou e muitas outras pessoas acabaram se rendendo a afirmação de que uma das características mais fortes e inerentes ao ser humano é o DESLUMBRAMENTO, é algo que faz parte de sua ‘’formação primária, e que afeta a todos em menor ou maior grau. Em síntese, é a incapacidade de se manter fiel as suas pretensas raízes e convicções, sem se desvirtuar diante de fatos inesperados e alheios a sua vontade, principalmente aqueles que aparentemente tem o poder de elevar o seu posicionamento sócio econômico no seu grupo social primário e na sociedade.

Independente do pensamento filosófico ou religioso que sirva de base para uma análise qualificada do referido fenômeno, o fato é que, é muito provável que em algum momento de sua vida o ser humano seja levado a experimentá-lo com menor ou maior intensidade, e dependendo de sua capacidade de resiliência, poderá ou não sucumbir aos seus efeitos nocivos e por consequência acabar se desprendendo de sua origem, de sua essência. Contrariando a essa premissa, há quem diga que se esse fenômeno for capaz de causar tamanha transformação na vida de alguém, é porque na verdade esse indivíduo não tinha o caráter que se pressupunha inicialmente. Enfim é um bom motivo para uma longa e provavelmente interminável discursão, e que não é o objetivo deste post.

De certo que não se trata de uma tarefa muito fácil, afinal as benesses que a vida material pode oferecer são muito tentadoras e a ideologia dominante, que nos impinge o consumismo e a posse a todo custo, nos conduzem a um terreno minado sem precedentes. Logo resistir a esse arsenal de possibilidades é muito complicado, entretanto é algo que precisa ser exercitado com bastante sabedoria, para que não corramos o risco de perder o rumo, o norte. Isso tudo se torna ainda mais preocupante na nossa sociedade tão estratificada e desigual, onde a diferença econômica e cultural é abissal. E como a esmagadora maioria da população brasileira é de indivíduos com pouca ou nenhuma educação formal e apesar de ter uma herança cultural bastante significativa, não consegue absorver esse manancial de informações, logo não tem como se beneficiar de forma satisfatória do mesmo.

Como não poderia deixar de ser, os reflexos desse processo se espraiam por todas as áreas da vida do ser “humaninho”. Ainda mais quando ele é um doente crônico, em especial, um diabético, pois suas frustrações, desejos e aspirações quase sempre são canalizados para ações que levam ao incremento do consumo de itens que tanto prejuízo podem trazer para a manutenção e ou melhora de sua saúde. Para dar tons ainda mais dramáticos a esse quadro, devemos considerar um outro aspecto que tanto contribui para a escalada do processo de deslumbramento, que é a extrema necessidade que boa parte das pessoas tem de alcançar os grupos sociais que estão em uma posição superior na escala da estratificação social existente.

Tenho plena consciência de que não sou imune ao mencionado processo, de fato acredito que ninguém é, mas apesar de sempre me manter alerta para não agregar hábitos e costumes, decorrentes a princípio da melhora da condição sócio econômica, que eventualmente poderiam gerar algum tipo de deslumbramento. É bem verdade que alguma coisa acaba passando por esse crivo, afinal assim como todos os seres humanos, sou um ser imperfeito. Também é fato que fica mais fácil para as outras pessoas do que para nós mesmos, identificar e até mesmo visualizar esse fenômeno, uma vez que estamos diretamente envolvidos na situação. Por outro lado, o mais importante é ter em mente que você continua sendo a mesma pessoa, de fato com uma “quilometragem” e uma carga de vida bem maiores, mas no fundo ainda é o mesmo ser que começou a jornada, e então, merece manter-se dentro de uma “linha reta” de conduta, de vida. Afinal o deslumbramento em si mesmo não consegue agregar nada de bom a sua existência, pelo contrário só causa dissabores e sofrimento.

Rodolfo S Cerveira

sábado, 6 de janeiro de 2018

ACESSIBILIDADE PARA QUEM?


É interessante como a grande maioria das pessoas se imagina e até mesmo se coloca acima e bem longe dos problemas de acessibilidade, como se esses problemas não lhes dissessem respeito, como se só os deficientes físicos, visuais, intelectuais e as pessoas com dificuldade de locomoção fossem os “únicos” pretensos usuários de qualquer equipamento que faça parte desse universo. Como se o mundo dessas pessoas fosse um mundo paralelo, inteiramente diverso dos demais. O que muitas vezes é a expressão da realidade atual que pode e precisa ser mudada, afinal todos nós vivemos no mesmo mundo.

Num post anterior deste Blog mencionei a importância de se quebrar esse paradigma e talvez não tenha conseguido ser enfático o bastante, para demonstrar o quão isso é fundamental para a melhoria das relações em comunidade. Todos nós precisamos de acessibilidade, em algum momento de nossas vidas, nós poderemos estar em uma situação em que necessitaremos em maior ou menor grau de mais acesso a alguma coisa ou a algum espaço, para resolver um problema ou mesmo desenvolver uma atividade própria do nosso dia a dia. Não somos verdadeiramente imunes nem muito menos isentos dessa necessidade, só porque em princípio não somos deficientes, e é essa falsa noção de blindagem que deve ser extinta, execrada. Quantas são as situações em que nos sentimos impotentes, até deficientes perante a alguns fatos da vida, e notem que não me refiro somente a eventos altamente significativos, extraordinários, não, na verdade estou falando de coisas banais que acontecem todos os dias e que nos causam um extremo desconforto e que uma simples mudança de postura já provocaria um resultado surpreendente, acreditem.

Quando pequenos, na primeira idade, somos os reis da incapacidade, em suma somos verdadeiros “deficientes”, ou seja, precisamos da ajuda e do apoio de outras pessoas para rigorosamente tudo, A medida que vamos crescendo, o nosso nível de desenvolvimento pode ser medido pela capacidade que cada um de nós tem de se libertar dessas amarras que a nossa origem “humanoide” nos apregoou. Quando chegamos na idade adulta, devidamente formados, assim espera-se, é claro, muitas vezes sofremos do maú da AUTO SUFICIÊNCIA, afinal sabemos de tudo, não precisamos de nada, nem de ninguém. Desculpem o exagero, mas via de regra essa é uma citação bem realista, infelizmente. Quanto mais nos aproximamos da nossa plenitude, quanto mais conhecimento vamos absorvendo, quanto mais grosso fica o nosso “coro”, melhores são as chances de despertarmos para uma série de questões fundamentais de nossa existência, do nosso habitat.

Hoje a ciência e o senso crítico comum vislumbram a importância das questões relativas a acessibilidade, não se trata só de um simples modismo, de possibilidades mercadológicas para comercialização de novos produtos e equipamentos, para atender as solicitações do “ser politicamente correto”, “tão brilhantemente” exercido pelos senhores governantes e autoridades afins e também por alguns dirigentes de ONG, mas de uma genuína preocupação da sociedade em atender as necessidades de um enorme grupo de pessoas. De fato, esse engajamento ainda é muito pequeno, limitado basicamente ao 3º Setor, a umas tímidas e ineficientes ações estatais (limitadas a formulação de leis, sem nenhuma preocupação real de fiscalizar a sua aplicação), e ainda alguns poucos técnicos abnegados que abraçaram a causa, e fazem um trabalho admirável em prol da mesma. Logo é preciso promover a universalização desse conhecimento sobre o tema para que os demais atores da sociedade passem a ter uma atuação mais participativa no desenrolar desse processo, de forma a provocar um efeito multiplicador no público em geral, e assim essa parcela tão significativa da sociedade possa verdadeiramente assumir o seu papel de protagonista nesta “quizomba”.

Em resumo acredito ser fundamental que as pessoas comecem a entender que todos nós, sem nenhuma exceção, somos suscetíveis a dificuldades relativas a acessibilidade, e dessa forma não se trata simplesmente de dar uma melhor condição aos deficientes de uma maneira geral e sim de tornar esse lugar que ocupamos, um espaço mais civilizado, preparado para atender as diversidades humanas e em sintonia com as inúmeras novas solicitações que a evolução ou a “involução” nos traz a cada dia.


Rodolfo S Cerveira

domingo, 24 de dezembro de 2017

A MAGIA DO NATAL DE UM DIABÉTICO


Muito se fala da magia da época do Natal, o clima muda, surge uma nova e melhor atmosfera, as pessoas ficam mais propensas a olhar para si mesmas e para as outras com um olhar um pouco menos observador e crítico. “Que o amor esta no ar”, enfim são inúmeras afirmações e frases de efeito que tentam ilustrar o que realmente acontece neste período tão especial do ano. Acredito que independente da religião e do credo de cada um, é sim uma época mágica, carregada de significados maiores capazes de promover uma pequena pausa do espectro de “insanidade” em que o mundo se transformou no resto do ano. Para os mais céticos talvez seja um exagero a utilização do termo MAGIA, e de certo que não estou aqui para fomentar discussão alguma acerca do assunto.


Peço permissão para fazer um breve parêntese, pois na condição de um filho do Estado do Pará, onde para boa parte dos que ali nasceram e vivem, o verdadeiro Natal acontece por ocasião da realização do Círio de Nazaré, sempre no segundo domingo de outubro, onde as pessoas se transformam e a cidade fica diferente, há realmente uma atmosfera de festa e congregação em torno de uma força espiritual muito grande, que transcende a todas as teorias cientificas conhecidas existentes. A cidade fica cheia de visitantes provindos de todas as partes do Estado, do País e do mundo. “Tudo em Belém tem em suas entranhas a Aura do Círio”, mesmo as coisas que não estão diretamente relacionadas a fé, como por exemplo o calendário do comércio paraense que é extremamente influenciado pelo mesmo, pois desde os meses de julho e agosto as empresas começam a atender a demanda por produtos e serviços “pré e pró” Círio, ou seja, o paraense em especial, tem uma preocupação específica de se vestir melhor para a festa, de arrumar a casa para o Círio de Nazaré e consequentemente ela já fica pronta para receber o Natal, em dezembro. É sabido que existe um lado profano da grande manifestação de fé, mas que em nenhum momento ou sob nenhum aspecto consegue ofuscar a grandiosidade e a significação da festa religiosa. E o dia da procissão do Círio de Nazaré propriamente dito é o verdadeiro domingo de Natal da maioria dos paraenses.


Fazendo uma breve analogia com o famoso e bem-aventurado domingão, aquele dia da reunião da família, da congregação familiar em torno da mesa, dia de realimentar e reforçar os mais profundos laços que temos, pois sem sombra de dúvida, é a família o primeiro e mais importante núcleo da sociedade, ou mesmo da humanidade, então porque não podemos considerar e fazer do domingo um dia ainda mais mágico, “um dia de Natal”, porque não. Afinal ele reúne todas as características que podem torna-lo um dia verdadeiramente especial. Já que o amor, o companheirismo e a solidariedade normalmente estão bastante latentes e dessa forma precisão ser exercitados em sua plenitude.


Com o advento do diabetes, o meu natal perdeu algum glamour, na verdade perdeu alguns sabores especiais, pois minha casa sempre foi regada a muita comida boa e doces maravilhosos, afinal é a casa de uma excelente cozinheira e isso, como diz um personagem televisivo conhecido, “já não me pertence mais”. Devo confessar que ainda assim acabo extrapolando um pouco, por vezes muito, mas no frigir dos ovos esse “pseudo exagero” ainda é bem menor que outrora, e convenhamos que fica difícil resistir às inúmeras guloseimas próprias da época, como por exemplo ao bolo de nada (denominação carinhosamente dirigida ao bolo sem recheio – uma delícia, que fazia parte de quase todos os meus sábados anteriores ao diabetes), vale dizer que neste caso específico em que o mesmo é alusivo a uma data tão significativa ele recebe o recheio de passas, ao pãozinho da Tia Neli (uma maravilha regada a chocolate), as empadas de queijo e de carne, hum!, aos biscoitos de castanha, tudo devidamente produzido in loco. Me reservo ainda o direito de fazer “pouco caso” dos panetones da vida, aos quais não tenho nenhum apreço, mas também se fazem presentes, já que as outras pessoas gostam.


De fato, fico travando uma guerra de foice com a oferta de tanta coisa gostosa. Por outro lado, nem só de comida se faz o Natal, afirmação óbvia e verdadeira, que na prática não é tão simples de comprovar, pois lembrando algumas antigas máximas da humanidade como: “o homem é o que come”; “podemos conhecer um povo pela sua mesa”; “ a história da humanidade pode ser contada pela forma como cada povo se alimentava”, só para exemplificar, verdadeiramente somos muito mais que estomago e cabeça, afinal a vontade de comer começa na cabeça. Brincadeiras à parte, a magia do natal vai muito além de sua encantadora gastronomia, logo é plenamente possível e altamente recomendável que o ser “humaninho” diabético, deleite-se com as suas oferendas sem entretanto, nenhum ou quase nenhum prejuízo a sua saúde, mantendo a sua dignidade e o seu bem viver. Não é fácil, mas é preciso.


Um ótimo natal a todos


Rodolfo S Cerveira

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

A INCAPACIDADE DO SER HUMANO DE SE COLOCAR NO LUGAR DO OUTRO


Em um post anterior deste blog, lembro de ter falado sobre a extrema solidão de um doente crônico, pois de fato ninguém consegue se colocar no lugar dele, ninguém consegue dimensionar a sua DOR, a sua desilusão pela sua incapacidade de manter o tratamento sempre em um nível desejável, enfim da dificuldade das demais pessoas de experimentar esse universo tão particular e solitário.


Na semana passada participei de um curso sobre ACESSIBILIDADE, em que no último dia foi feito um exercício de vivência, ou seja, algumas pessoas experimentaram mesmo que por alguns momentos estar em uma cadeira de rodas ou estar com uma venda nos olhos e ter que fazer uso de uma bengala para se locomover, a sensação é indescritível e assustadora, mas também é muito enriquecedora, pois é possível sentir na pele as agruras e dificuldades das pessoas que permanentemente convivem com essas limitações em seu dia a dia, mesmo que por alguns “míseros” minutos, mas ainda assim é inteiramente impossível nos colocarmos verdadeiramente no lugar dessas pessoas.


Por outro lado, seria muito bom para nós mesmos e também para o conjunto da sociedade se nós aprendêssemos a mudar o nosso referencial, ou seja, se procurássemos pensar que a situação das mencionadas pessoas requer providências especiais realmente, senão vejamos, quem é que não ficou chateado e mesmo tentado a usar uma vaga de estacionamento exclusiva para cadeirante e ou idoso, depois de ficar vários minutos procurando uma vaga mais próxima ao destino desejado. Quem em um momento de extrema “aporrinhação” já não chegou a pensar que talvez esse privilégio seja exagerado. Mesmo porque esses direitos adquiridos por essas pessoas são muito justos, entretanto eles não excluem o direito dos demais. Logo se mesmo hipoteticamente “conseguíssemos estar” no lugar dessas pessoas, nos seria possível perceber mais facilmente que a vaga deles deve ser a mais próxima, SIM, porque é extremamente necessário que assim o seja, afinal só dessa forma eles demandarão um menor esforço físico para chegar ao seu destino, sem falar das dificuldades que não só eles, mas todos nós temos que superar face a extrema incapacidade do poder público e também da sociedade de pensar seus espaços para serem mais acessíveis a todos, não só para os deficientes físicos, visuais e intelectuais e demais pessoas portadoras de qualquer perda de mobilidade. Afinal as cidades brasileiras são pródigas em apresentar problemas de toda ordem à livre locomoção das pessoas, tais como, calçadas sem piso tátil, pistas de rolamento e calçadas mal traçadas, esburacadas e sem manutenção, escolha de pisos inadequados, falta de sinalização e adequação de ruas e meio fio, só para citar alguns exemplos desse completo despreparo, apesar das inúmeras leis que já foram criadas para tentar minorar esse problema, muito pouco avanço de fato pode ser constatado nessa área.


Eu acredito que a nossa principal carência não é de leis e sim de educação, de cultura, de solidariedade, de realmente colocar em prática o chamado “amor ao próximo”, esteja este próximo ou não. E nesse caso seria muito benéfico para cada um de nós e principalmente para a sociedade, se fizéssemos um exercício de tentar olhar o mundo e as coisas sob a ótica do deficiente físico, de forma a entender as suas dificuldades mais precípuas, digo melhor, quando você se deparar com um problema de locomoção ou mesmo de qualquer outra natureza, procure não olhar para o fato somente com a ótica das pessoas “ditas normais”, (desculpem o uso do termo, mas foi proposital, pois quem foi que disse que o deficiente físico não e normal? Ele apenas tem uma deficiência específica, que apesar de limitar algum sentido ou movimento, não o torna incapaz. E é isso que precisa realmente ser mudado). Assim sendo procure analisar a situação com uma visão macro, objetivando alcançar o verdadeiro grupo de pessoas que irá fazer uso do mencionado equipamento, isto é, aquele em que todos nós, sem distinção, somos parte integrante.


Fazendo uma breve analogia entre a situação do deficiente físico com a do doente crônico, no caso deste blog em que o foco é o diabético, pois ambas as categorias merecem e carecem de uma melhor atenção da sociedade e do Estado, no sentido de pensar e de prover os espaços e equipamentos públicos e privados de mecanismos e soluções capazes de minorar o sofrimento dessas pessoas, e assim otimizar não só as suas vidas, mas também a de todos os integrantes da sociedade, tornando-a verdadeiramente mais igualitária. Dessa forma é fundamental que os mencionados entes passem a desenvolver políticas e ações direcionadas a melhoria do espectro de vida desse grupo de pessoas cada vez mais numeroso e significativo.



Rodolfo S Cerveira

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O QUE É ACESSIBILIDADE?


De tempos em tempos a humanidade cria, ou muitas vezes simplesmente eleva um tema a categoria de “mega, ultra” importante, vale dizer que nem sempre os motivos que provocam o “despertar” ou mesmo que determinam o “time” desse processo são os mais éticos e dignos. Mas o fato é que desde que “o mundo é mundo” isso acontece e acho muito improvável que venha a se modificar drasticamente algum dia. Dessa forma o eleito do momento é a tão propalada e inegavelmente imprescindível INCLUSÃO SOCIAL, deixemos então as razões menos ou mais dignas de lado e vamos ao que realmente interessa.


A informação é sem sombra de dúvidas, a mais valiosa “mercadoria” da atualidade, e portanto deve ser democratizada, franqueada a todos, pois essa é a primeira e a principal forma de promover a Inclusão social. Todavia não há como pensar nela se não falarmos também de acessibilidade, isso é fato, e para começarmos com toda a dignidade que o tema exige e merece, precisamos promover a quebra de um paradigma. De uma maneira geral quando se fala em acessibilidade logo se relaciona a meios e mecanismos para melhorar a vida do deficiente físico, visual e ou intelectual. Neste momento é necessário inserir um novo termo que se refere a uma outra categoria de pessoas, que também faz parte desse enorme contingente de cidadãos que tanto precisam ser inseridos no conjunto da sociedade, que são as pessoas com mobilidade reduzida temporária ou permanente. Logo é primordial promover uma mudança radical nessa maneira de ver as coisas, pois o mundo, as cidades, o campo, os logradouros públicos, a empresa privada, o órgão público, a casa de cada um de nós, enfim todos os espaços devem ser em princípio acessíveis a todos e não e tão somente para os deficientes físicos em geral. Dessa forma é fundamental revermos os nossos conceitos e aprendermos a olhar todos com o mesmo olhar, sob a mesma ótica, enxergando o todo e a todos, é claro que sem deixar de respeitar as mais diversas especificidades que cada grupo traz em sua essência.


A importância de universalizar a acessibilidade, de deixá-la ao alcance de todos reside também no fato de que em algum momento de nossas vidas, seja porque motivo for, poderemos ser potenciais usuários dos mecanismos criados para tornar o nosso meio ambiente e o nosso habitat mais acessível. Mesmo que não sejamos portadores de nenhuma deficiência física de qualquer ordem, pois há diversas situações na vida que isso pode se materializar e acabar nos causando algum tipo de sofrimento ou privação. Isso pode ser facilmente visto quando vemos por exemplo uma fileira de telefones públicos (coisa considerada jurássica, diante do surgimento do celular) com alturas diversas, quando temos banheiros coletivos com alturas igualmente diferentes e providos com os mais diversos equipamentos como barras de apoio, maçanetas em forma de alavanca, área de transferência e etc..., possibilitando dessa forma atender não só ao anão e ao cadeirante, mas também a criança e a pessoa com baixa estatura; a instalação de balcões e mesas nos lugares de uso comum em alturas que possam atender a todos indiscriminadamente; devemos considerar também um fenômeno incontestável que é o envelhecimento da população mundial, ou seja, a acessibilidade do idoso cada vez mais terá uma demanda crescente, e então será necessária a criação e ou adaptação de espaços públicos e privados de pequena, média e grande circulação de pessoas com o mínimo de espaços e equipamentos de sinalização visual, tátil e sonora disponíveis para sua perfeita utilização, ou seja, não se pode pensar em um espaço ou mundo acessível para determinadas pessoas e sim para o grupo em que fazem parte todas elas.


Neste blog ou em qualquer outro espaço, eu não poderia deixar de frisar a importância da acessibilidade quando nos referimos aos tratamentos e remédios para os doentes crônicos, entre os quais eu me incluo, como diabético. É fato que já há algum tempo essa preocupação faz parte das políticas públicas do Estado Brasileiro, entretanto isso ainda é feito de forma muito incipiente, necessitando então de muito aprimoramento no seu conceito e na sua forma para enfim poder receber a aura ou denominação de universal. Será mesmo um sonho?


Para finalizar essa resenha acredito ser importante incluir no rol das pessoas que precisam usufruir plenamente da acessibilidade os portadores da mais nova face das doenças crônicas, as chamadas doenças psicológicas, as diversas síndromes que cada vez mais afetam um número surpreendentemente maior de pessoas. Dessa forma seria bastante salutar incluir no bojo do planejamento e dos projetos sobre o assunto, um olhar mais atento, que possa criar soluções que atendam também as contingências desse enorme conjunto de usuários. Esta mais do que na hora de ir à luta, senhores! Vamos lá!



Rodolfo S Cerveira