quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

A INCAPACIDADE DO SER HUMANO DE SE COLOCAR NO LUGAR DO OUTRO


Em um post anterior deste blog, lembro de ter falado sobre a extrema solidão de um doente crônico, pois de fato ninguém consegue se colocar no lugar dele, ninguém consegue dimensionar a sua DOR, a sua desilusão pela sua incapacidade de manter o tratamento sempre em um nível desejável, enfim da dificuldade das demais pessoas de experimentar esse universo tão particular e solitário.


Na semana passada participei de um curso sobre ACESSIBILIDADE, em que no último dia foi feito um exercício de vivência, ou seja, algumas pessoas experimentaram mesmo que por alguns momentos estar em uma cadeira de rodas ou estar com uma venda nos olhos e ter que fazer uso de uma bengala para se locomover, a sensação é indescritível e assustadora, mas também é muito enriquecedora, pois é possível sentir na pele as agruras e dificuldades das pessoas que permanentemente convivem com essas limitações em seu dia a dia, mesmo que por alguns “míseros” minutos, mas ainda assim é inteiramente impossível nos colocarmos verdadeiramente no lugar dessas pessoas.


Por outro lado, seria muito bom para nós mesmos e também para o conjunto da sociedade se nós aprendêssemos a mudar o nosso referencial, ou seja, se procurássemos pensar que a situação das mencionadas pessoas requer providências especiais realmente, senão vejamos, quem é que não ficou chateado e mesmo tentado a usar uma vaga de estacionamento exclusiva para cadeirante e ou idoso, depois de ficar vários minutos procurando uma vaga mais próxima ao destino desejado. Quem em um momento de extrema “aporrinhação” já não chegou a pensar que talvez esse privilégio seja exagerado. Mesmo porque esses direitos adquiridos por essas pessoas são muito justos, entretanto eles não excluem o direito dos demais. Logo se mesmo hipoteticamente “conseguíssemos estar” no lugar dessas pessoas, nos seria possível perceber mais facilmente que a vaga deles deve ser a mais próxima, SIM, porque é extremamente necessário que assim o seja, afinal só dessa forma eles demandarão um menor esforço físico para chegar ao seu destino, sem falar das dificuldades que não só eles, mas todos nós temos que superar face a extrema incapacidade do poder público e também da sociedade de pensar seus espaços para serem mais acessíveis a todos, não só para os deficientes físicos, visuais e intelectuais e demais pessoas portadoras de qualquer perda de mobilidade. Afinal as cidades brasileiras são pródigas em apresentar problemas de toda ordem à livre locomoção das pessoas, tais como, calçadas sem piso tátil, pistas de rolamento e calçadas mal traçadas, esburacadas e sem manutenção, escolha de pisos inadequados, falta de sinalização e adequação de ruas e meio fio, só para citar alguns exemplos desse completo despreparo, apesar das inúmeras leis que já foram criadas para tentar minorar esse problema, muito pouco avanço de fato pode ser constatado nessa área.


Eu acredito que a nossa principal carência não é de leis e sim de educação, de cultura, de solidariedade, de realmente colocar em prática o chamado “amor ao próximo”, esteja este próximo ou não. E nesse caso seria muito benéfico para cada um de nós e principalmente para a sociedade, se fizéssemos um exercício de tentar olhar o mundo e as coisas sob a ótica do deficiente físico, de forma a entender as suas dificuldades mais precípuas, digo melhor, quando você se deparar com um problema de locomoção ou mesmo de qualquer outra natureza, procure não olhar para o fato somente com a ótica das pessoas “ditas normais”, (desculpem o uso do termo, mas foi proposital, pois quem foi que disse que o deficiente físico não e normal? Ele apenas tem uma deficiência específica, que apesar de limitar algum sentido ou movimento, não o torna incapaz. E é isso que precisa realmente ser mudado). Assim sendo procure analisar a situação com uma visão macro, objetivando alcançar o verdadeiro grupo de pessoas que irá fazer uso do mencionado equipamento, isto é, aquele em que todos nós, sem distinção, somos parte integrante.


Fazendo uma breve analogia entre a situação do deficiente físico com a do doente crônico, no caso deste blog em que o foco é o diabético, pois ambas as categorias merecem e carecem de uma melhor atenção da sociedade e do Estado, no sentido de pensar e de prover os espaços e equipamentos públicos e privados de mecanismos e soluções capazes de minorar o sofrimento dessas pessoas, e assim otimizar não só as suas vidas, mas também a de todos os integrantes da sociedade, tornando-a verdadeiramente mais igualitária. Dessa forma é fundamental que os mencionados entes passem a desenvolver políticas e ações direcionadas a melhoria do espectro de vida desse grupo de pessoas cada vez mais numeroso e significativo.



Rodolfo S Cerveira

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O QUE É ACESSIBILIDADE?


De tempos em tempos a humanidade cria, ou muitas vezes simplesmente eleva um tema a categoria de “mega, ultra” importante, vale dizer que nem sempre os motivos que provocam o “despertar” ou mesmo que determinam o “time” desse processo são os mais éticos e dignos. Mas o fato é que desde que “o mundo é mundo” isso acontece e acho muito improvável que venha a se modificar drasticamente algum dia. Dessa forma o eleito do momento é a tão propalada e inegavelmente imprescindível INCLUSÃO SOCIAL, deixemos então as razões menos ou mais dignas de lado e vamos ao que realmente interessa.


A informação é sem sombra de dúvidas, a mais valiosa “mercadoria” da atualidade, e portanto deve ser democratizada, franqueada a todos, pois essa é a primeira e a principal forma de promover a Inclusão social. Todavia não há como pensar nela se não falarmos também de acessibilidade, isso é fato, e para começarmos com toda a dignidade que o tema exige e merece, precisamos promover a quebra de um paradigma. De uma maneira geral quando se fala em acessibilidade logo se relaciona a meios e mecanismos para melhorar a vida do deficiente físico, visual e ou intelectual. Neste momento é necessário inserir um novo termo que se refere a uma outra categoria de pessoas, que também faz parte desse enorme contingente de cidadãos que tanto precisam ser inseridos no conjunto da sociedade, que são as pessoas com mobilidade reduzida temporária ou permanente. Logo é primordial promover uma mudança radical nessa maneira de ver as coisas, pois o mundo, as cidades, o campo, os logradouros públicos, a empresa privada, o órgão público, a casa de cada um de nós, enfim todos os espaços devem ser em princípio acessíveis a todos e não e tão somente para os deficientes físicos em geral. Dessa forma é fundamental revermos os nossos conceitos e aprendermos a olhar todos com o mesmo olhar, sob a mesma ótica, enxergando o todo e a todos, é claro que sem deixar de respeitar as mais diversas especificidades que cada grupo traz em sua essência.


A importância de universalizar a acessibilidade, de deixá-la ao alcance de todos reside também no fato de que em algum momento de nossas vidas, seja porque motivo for, poderemos ser potenciais usuários dos mecanismos criados para tornar o nosso meio ambiente e o nosso habitat mais acessível. Mesmo que não sejamos portadores de nenhuma deficiência física de qualquer ordem, pois há diversas situações na vida que isso pode se materializar e acabar nos causando algum tipo de sofrimento ou privação. Isso pode ser facilmente visto quando vemos por exemplo uma fileira de telefones públicos (coisa considerada jurássica, diante do surgimento do celular) com alturas diversas, quando temos banheiros coletivos com alturas igualmente diferentes e providos com os mais diversos equipamentos como barras de apoio, maçanetas em forma de alavanca, área de transferência e etc..., possibilitando dessa forma atender não só ao anão e ao cadeirante, mas também a criança e a pessoa com baixa estatura; a instalação de balcões e mesas nos lugares de uso comum em alturas que possam atender a todos indiscriminadamente; devemos considerar também um fenômeno incontestável que é o envelhecimento da população mundial, ou seja, a acessibilidade do idoso cada vez mais terá uma demanda crescente, e então será necessária a criação e ou adaptação de espaços públicos e privados de pequena, média e grande circulação de pessoas com o mínimo de espaços e equipamentos de sinalização visual, tátil e sonora disponíveis para sua perfeita utilização, ou seja, não se pode pensar em um espaço ou mundo acessível para determinadas pessoas e sim para o grupo em que fazem parte todas elas.


Neste blog ou em qualquer outro espaço, eu não poderia deixar de frisar a importância da acessibilidade quando nos referimos aos tratamentos e remédios para os doentes crônicos, entre os quais eu me incluo, como diabético. É fato que já há algum tempo essa preocupação faz parte das políticas públicas do Estado Brasileiro, entretanto isso ainda é feito de forma muito incipiente, necessitando então de muito aprimoramento no seu conceito e na sua forma para enfim poder receber a aura ou denominação de universal. Será mesmo um sonho?


Para finalizar essa resenha acredito ser importante incluir no rol das pessoas que precisam usufruir plenamente da acessibilidade os portadores da mais nova face das doenças crônicas, as chamadas doenças psicológicas, as diversas síndromes que cada vez mais afetam um número surpreendentemente maior de pessoas. Dessa forma seria bastante salutar incluir no bojo do planejamento e dos projetos sobre o assunto, um olhar mais atento, que possa criar soluções que atendam também as contingências desse enorme conjunto de usuários. Esta mais do que na hora de ir à luta, senhores! Vamos lá!



Rodolfo S Cerveira

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

AS DOENÇAS DO NOSSO TEMPO – DOENÇAS PSICOLÓGICAS


O dinamismo com que os fatos humanos passam por mutações através do tempo é verdadeiramente assustador, a velocidade é tamanha que é quase impossível o conhecimento humano e a ciência manterem-se atualizados em relação ao processo de transformação dos mesmos. Portanto em muitos campos da atividade humana a defasagem é considerável, andando sempre a reboque dessas novas manifestações, e dessa forma acaba gerando problemas bem “caros” à sociedade.


Há 10, 15 anos atrás um dos principais focos da pesquisa médica eram as doenças advindas das más posturas físicas durante as atividades do trabalho, seja ele repetitivo ou não, e também englobavam as demais atividades humanas que envolviam posturas prejudiciais ao corpo humano, como por exemplo as doenças da coluna vertebral que eram provocadas pelo excesso de tempo sentado ou deitado, ou mesmo as doenças relacionadas aos esforços repetitivos tão próprios a algumas atividades muito comuns, tais como jogos eletrônicos, videogames portáteis, celulares, itens tão presentes na vida das gerações contemporâneas.


O grande vilão do momento em que vivemos é o crescimento acelerado do número de casos de doenças psicológicas que estão intimamente relacionadas ao alto grau de ansiedade do mundo moderno, caracterizado por muitas dificuldades socioeconômicas e financeiras, pela desesperança com o presente e consequentemente com o futuro também, insuficiente oferta de trabalho, insegurança pública, só para citar alguns poucos fatores. São doenças da alma e do espírito – e com certeza isso é só uma questão de nomenclatura – que de uma forma ou de outra acabam provocando efeitos e ou danos físicos muito graves. Transtorno de ansiedade, depressão clínica, aneroxia, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno bipolar e síndrome do pânico, são alguns exemplos do arsenal de moléstias que assolam o homem moderno.


Um dado assustador é o aparecimento da depressão em um grande número de jovens, muitas vezes em adolescentes e até mesmo em crianças. Ainda mais preocupante é o fato de que a grande maioria dos pais, tios e demais parentes mais velhos, ou melhor, a maior parcela da sociedade ainda não tem consciência da gravidade e da extensão da doença, do grau de comprometimento que ela pode ter e portanto, o quão importante é despertar para essa realidade, o quanto antes, pois do contrário os danos poderão ser catastróficos e irreversíveis.


Como tudo na vida há sempre os dois “lados da moeda”, pois lembro que há mais de 15 anos me deparei com uma pessoa que tinha fobia de elevador, ou seja, ela não entrava sozinha de forma alguma em um elevador. A princípio isso me pareceu meio absurdo, exagerado, mas como sempre procurei respeitar o limite de cada pessoa, me contive e evidentemente procurei não externei o meu espanto com o fato em si. Com o passar do tempo e após adquirir algum conhecimento de causa sobre esse universo, consegui ter um outro olhar sobre a questão, o olhar de quem esta inserido no mesmo, pois além de diabético descobri que sou portador da síndrome de pânico e devo confessar que tenho uma relativa história de episódios em que ela se manifestou e que felizmente consegui mantê-la sob controle, algumas vezes com mais outras com menos esforço, e sempre com a preciosa ajuda da minha racionalidade conjugada a minha religiosidade, por mais paradoxal que isso possa parecer, para mim tem funcionado a contento. Mas uma coisa que já aprendi sobre essa síndrome é que cada pessoa precisa achar o seu próprio caminho, a sua maneira particular de sair da crise, de vencê-la e seguir em frente. Não quero dizer com isso que é fácil, absolutamente não é, mas é algo que precisa ser feito, além é claro de buscar toda a ajuda profissional possível que esteja ao seu alcance, afinal trata-se de recuperar o seu bem-estar, a sua saúde mental.


Resolvi escrever sobre o assunto e até mesmo expor o meu caso em particular, com a finalidade de tentar provocar nas pessoas a reflexão sobre a relevância do tema, pois trata-se de uma doença com um alto grau de complexidade e que precisa de uma maior atenção da sociedade para que não acabe por se tornar numa verdadeira epidemia dos tempos modernos. É imprescindível que a comunidade mundial conheça melhor suas causas, seus efeitos, seus tratamentos e acima de tudo tenha a capacidade de se despir de seus dogmas e preconceitos, afinal Síndrome de Pânico, fobia, depressão e etc..., NÃO É FRESCURA, NÃO, como infelizmente ainda existem alguns acéfalos que bradam por aí. Vamos acordar, “povo”.



Rodolfo S Cerveira

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

SER OU NÃO SER UMA PCD


Desde o dia em que mantive o primeiro contato com as teorias de Albert Eisntein pude perceber o grau de abrangência que as mesmas têm na minha e na vida das pessoas em geral. Nesta resenha vou manter o meu foco na teoria geral da relatividade, que basicamente apregoa que tudo no mundo e na vida depende do referencial de quem olha, sente ou mesmo da posição em que se encontra, em relação a um determinado fato ou situação.


Há pouco mais de dois anos tomei conhecimento pela internet de uma lei federal que dá direito aos portadores de PCD (Pessoa com Deficiência), a uma isenção de impostos na ordem de 27%, para a aquisição de um automóvel 0km. Realmente algo bem interessante, principalmente nesses tempos tão difíceis que vivemos. Para minha surpresa verifiquei que dentre as enfermidades listadas na referida lei, não está o DIABETES, o que me pareceu lógico afinal dificilmente essa doença está diretamente relacionada a problemas de locomoção, todavia pude comprovar que a minha malfada HERNIA DE DISCO fazia parte da referida lista. Portanto segundo a LEI, eu tenho direito ao referido benefício. De certo que não considero isso uma notícia de todo BOA, afinal bom mesmo seria não ter a “mardita” enfermidade, mas como não há maneira de mudar essa realidade, então vamos pensar em usufruir dessa “benesse”, afinal acredito ser essa a única coisa positiva de ser portador da enfermidade, pelo menos por aqui no país do Futebol.


Nesse momento lembrei-me claramente das palavras do meu médico neurologista, há aproximadamente 10 anos atrás, quando me repassou o fatídico diagnóstico (“Sua hérnia é relativamente grande e se você não se cuidar, e bem, provavelmente ela vai te causar muito sofrimento, pois se hoje isso ainda não acontece é em função da sua vida pregressa, pois você foi um atleta, e acumulou uma reserva estrutural na sua coluna, mas se os cuidados (exercícios específicos e alongamentos) não foram mantidos regularmente, essa reserva deverá se esgotar e com o passar do tempo “a coisa vai pegar”). Em função do crescimento da fama e da clientela do referido profissional, acabei deixando de frequentar o seu consultório, e para ser bem sincero o de qualquer outro médico dessa especialidade também. O que é uma grande irresponsabilidade da minha parte, devo admitir. Mas para o meu infortúnio, a cada dia que passa estou comprovando o quanto ele é competente e o quanto as palavras proferidas naquele momento carregam de verdade.


Coincidentemente um dos meus projetos de vida atual é um canal do Youtube, intitulado ARQUITETURA AO ALCANCE DE TODOS, onde forneço algumas dicas básicas inteiramente gratuitas sobre os diversos assuntos relacionados a minha profissão de ARQUITETO e até mesmo da engenharia civil em geral. E não menos curioso, é o fato de que o foco atual do canal é uma série de vídeos sobre acessibilidade para as pessoas com algum tipo de deficiência física ou visual e ou pessoas com mobilidade reduzida. Na verdade é uma pequena amostra do trabalho que pretendo realizar nessa área tão carente de informações e de atenção das pessoas que por lei teriam a obrigação de zelar pelo compromisso de tornar o mundo um pouco mais igualitário.


A grande ironia disso tudo é que até ontem, quando vi no título de um vídeo do Youtube, que fazia menção a uma versão especial de um automóvel destinado ao público PCD, não tinha me dado conta da abrangência e da aplicabilidade do termo PCD (Pessoa com Deficiência) e nem muito menos que de uma forma meio “torta” acabei me vendo inserido nesse universo no momento em que acreditei ser um potencial beneficiário da isenção anteriormente mencionada nesta breve resenha, algo que para mim é bastante surreal. Dessa forma passei a me questionar se realmente sou uma PCD, pois não é assim que me enxergo e ou me percebo. Entretanto para ser bem honesto a resposta mais apropriada a essa pergunta é NÃO, pois não sou portador de nenhuma enfermidade que assim me defina, por outro lado levando em consideração os novos conceitos sobre o assunto, posso ser enquadrado na condição de pessoa com mobilidade reduzida na medida em que em função da ação devastadora da hernia de disco na minha vida, passei a ter algumas restrições para desenvolver as minhas atividades rotineiras ou não, principalmente as que dependem do aparelho locomotor. Logo no “frigir dos ovos”, sou sim um candidato a esse desconto, o que me torna efetivamente uma PCD?. Isso é muito louco, você não acha?



Rodolfo S Cerveira

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

AS DIVERSAS VOLTAS QUE A VIDA DÁ


A vida toda nos acostumamos a ouvir expressões do tipo “a vida é um ciclo”, “a vida dá voltas”, enfim uma série de frases que em tese simbolizam a dinâmica com que a vida se apresenta para nós, meros mortais. Mas que na prática representam o acelerado dinamismo com que ela se mostra e nos envolve de maneira tão avassaladora. De certo que precisamos estar atentos às diversas transformações, sob pena de perdermos coisas importantes ou mesmo nos perdermos nesse processo todo.

De fato acredito que o saldo de tudo que ganhamos e perdemos no transcorrer desse processo ao qual chamamos de VIDA NOSSA, LOUCA VIDA, já parafraseando um cantor famoso, o que realmente nos faz falta são as amizades, as verdadeiras amizades, as mais puras manifestações de amor desinteressado, que seja porque motivo for, vão ficando pelo caminho deixando um vazio imenso, que incomoda, que dói demais, e que muitas vezes infelizmente somos incapazes de esboçar uma real tentativa para salvá-las e ou recuperá-las, seja por orgulho, por amor próprio ou mesmo por pura incompetência de seres tão imperfeitos que somos.

Já seria uma grande vantagem se nós conseguíssemos admitir que esse tipo de comportamento nos é tão danoso, nos causa tamanho mal. Mas para nossa infelicidade, via de regra, passamos pela vida sem maiores preocupações acerca disso e muitas vezes só nos damos conta desse fato quando somos submetidos a situações de extrema dor e perda, que de uma forma ou de outra, nos tocam profundamente e nos levam a repensar os nossos conceitos e formas de ver a vida. Algumas vezes nos é dado o benefício de uma segunda chance, se bem que nem sempre isso acontece, ou mesmo em alguns casos, as pessoas são incapazes de identificar a referida segunda oportunidade, mesmo que ela esteja tão explicitamente apresentada diante de si.

Quando nos vemos diante do surgimento de uma doença crônica, no caso específico deste blog, do DIABETES, é fundamental que passemos a desenvolver a capacidade de nos tornarmos seres um pouco mais humanos e menos “perfeitos”, como erroneamente e intimamente sempre pensamos que fossemos, mesmo que jamais tenhamos admitido, até para nós mesmos. Na verdade, a ideia principal é fazer uma “reengenharia” – nossa, “taí” ela de novo, palavrinha tão em voga há algum tempo atrás e que agora voltou ao “limbo“ - é reinventar a vida, seus hábitos, conceitos, dieta alimentar, enfim é definitivamente iniciar uma busca obstinada por uma melhor qualidade de vida, pelas coisas realmente importantes, por tudo aquilo que tem um verdadeiro significado para nós. Que nos faz vibrar, sorrir, desejar, amar, emocionar, enfim tudo aquilo que nos transmite o verdadeiro sentido de estar e continuar vivo.

Retornando ao cerne desta breve resenha, e indo direto ao ponto crucial, é estritamente necessário que deixemos de falar do aparecimento da doença em terceira pessoa, como se fosse uma coisa totalmente fortuita, e que nenhuma influência nós tivemos em sua chegada. Afinal com ou sem consciência dos nossos atos, sempre fomos parte importante e de fato determinante para o seu surgimento e posterior desenvolvimento. Logo nos cabe a partir de então um rigoroso controle para não incorrer no mesmo erro, pois poucos são os que terão a graça de usufruir de uma terceira chance. Quem sabe?



Rodolfo S Cerveira

domingo, 15 de outubro de 2017

DIAS MARCANTES NA VIDA


Nossas vidas são pontuadas por acontecimentos marcantes, mais ou menos importantes, que deixam memórias e histórias boas ou ruins, de toda forma, fatos que deixam a sua marca indelével em nossas existências. Hoje em particular quero deixar um breve relato sobre uma das datas mais importantes da minha vida, que é o dia 13 de outubro de 1995, data do nascimento de minha primogênita, minha querida e amada filha.

Como a grande totalidade das “graças” alcançadas em minha vida, o fato de ser pai - que para muitos é tão natural e em alguns casos chega até a se constituir em um enorme problema - não fugiu à regra, tive que batalhar para conseguir realizar esse sonho, que afinal era muito intenso “desde que me entendo como gente”. Esperar por oito longos anos, depois de casado; passar por uma cirurgia de varicocele para evitar possíveis futuras dores, pois para ser fiel as minhas convicções, jamais faria uma intervenção cirúrgica com o objetivo único de melhorar a fertilização, pois sempre achei que a primeira alternativa viável seria a adoção, por outro lado não há como negar que ela acabou contribuindo para melhorar esse aspecto também; quase adotar uma criança, uma outra menina, que o destino não quis que fosse concretizada; enfim passar por várias situações dolorosas e que muito dissabor me causaram, foi um grande aprendizado, foi literalmente “engrossar o casco”, mas nem por isso posso dizer que não valeu a pena, há! isso não.

Lembro bem que nessa época, ano de 1995, as coisas não estavam muito fáceis, as dificuldades financeiras eram consideráveis e a possibilidade de um considerável incremento de despesas com a vinda de um filho, justo o(a) primeiro(a), mexe com o “cabeção” de qualquer pessoa, dá uma tremedeira nas pernas, um aperto no “estrobago”, enfim o sujeito fica pra lá de mexido, mas também não é nada que não possa ser plenamente administrado, mesmo porque a avalanche de bons sentimentos, da expectativa que a novidade traz em seu bojo é algo que supera qualquer preocupação, deixando um saldo pra lá de positivo. De fato em poucos dias eu já estava conseguindo afastar um pouco as preocupações com o lado prático da situação e curtindo o lado mágico, maravilhoso do fato de me tornar PAI, verdadeiramente nas nuvens.

Aos 32 anos de idade com muito mais expectativas e bem mais saudável, pois ainda não tinha sido apresentado a hérnia de disco, nem muito menos ao diabetes, a vida era bem mais fácil. Será mesmo? È fato que elas já estavam lá, digamos incubadas, esperando o momento para se mostrarem, me perdoem a figura de linguagem, mas é desnecessário dizer que a vida vai nos mostrando caminhos diversos dos que nós traçamos inicialmente, ou sonhamos um dia. Logo é fundamental nos adaptarmos o quanto antes as novas realidades que nos são apresentadas, aprendendo a extrair delas o melhor possível, para enfim seguir em frente rumo ao bem viver

Para finalizar este breve relato, quero desejar a pessoa que á a razão, a inspiradora do mesmo, que no meu coração e na minha memória afetiva, será sempre o meu bebê amado, que hoje completa 22 anos, uma vida cheia de realizações e que Deus esteja sempre iluminando o seu caminho. E que com certeza estarei sempre olhando e orando por você. Te amo muito filhota.



Rodolfo S Cerveira

domingo, 1 de outubro de 2017


De onde vem à extrema onipotência do ser humano quando ele se intitula o ser mais importante do Universo, quando ele se coloca na posição de centro do mesmo. Fico impressionado com tamanha desfaçatez, afinal um ser que tem um período de vida que pouco excede aos 100 anos, pode se colocar em uma posição de superioridade, quando comparado ao tempo de existência do mundo como um todo, que segundo consta está ai há alguns milhões de anos. O que leva esse ser, pelo menos sob este aspecto, tão insignificante, a achar que é o todo poderoso do Universo, depois do criador, para os que acreditam, é claro.

De certo que essa é uma questão que sempre me causou estranheza, e mesmo admitindo que sou um cético de carteirinha, pois custo a crer na existência de extra terrestres como algumas pessoas apregoam, porém para manter uma certa coerência, acredito que não somos os únicos habitantes desse planeta, talvez nem mesmo da mesma forma e apresentação, por assim dizer. De fato devem existir outras formas de vida mais ou menos desenvolvidas e ou refinadas, enfim no mínimo diferentes de nós.

Então de onde vem essa enorme pretensão do dIto “ser humaninho” de se achar isso tudo? Difícil de responder, mas acredito que é algo que merece uma reflexão profunda de todos nós, afinal precisamos avançar cada vez mais no processo de conhecimento do lugar onde vivemos e principalmente do ser que habita dentro de cada um de nós.

Não é preciso um esforço muito grande para perceber as inúmeras manifestações desse comportamento destrutivo, dessa extrema irresponsabilidade com que o homem trata o espaço em que vive. Do imenso desrespeito com que trata das questões mais importantes que dizem respeito a princípio ou mesmo por derivação a ele próprio, a sua sobrevivência, ao seu bem viver e a continuidade da vida no planeta. Por outro lado também é preciso salientar que já existe um movimento muito significativo de uma pequena, mas crescente parte da sociedade mundial, que visa reorientar e redimensionar essas questões, no sentido de explorar um novo universo de ideias e ações mais profícuas que com certeza poderão fazer desse mundo um lugar bem melhor de se viver.

Se considerarmos o universo micro de um único “ser humaninho”, poderemos perceber que o mesmo não consegue manter uma mínima coerência nem com as questões mais intimamente ligadas a sua própria saúde, que pelo menos em tese, seria algo de suma importância para o mesmo. Entretanto os exemplos de exageros e desrespeitos aos limites do seu próprio corpo são incontáveis, as agressões as suas condições psíquicas são igualmente preocupantes, e tudo isso agregado acaba determinando uma condição de vida muito precária, ceifando na verdade boa parte desta. Vale ressaltar que isso acontece em todas as camadas da sociedade, independente do grau de instrução e do poder econômico. Talvez por essa razão as doenças crônicas tenham encontrado um terreno extremamente fértil para se disseminarem, tornando o ser humano cada vez mais refém de suas consequências quase sempre tão devastadoras. A desinformação e até mesmo o acelerado processo de aculturação da sociedade, que muitas vezes é incentivado pelos próprios governos constituídos, é a principal chaga a ser combatida para se extirpar esse mal do nosso tempo.

A onipotência e oniciência do ser humano tem sua face mais preocupante quando ele acha que é o dono de sua própria verdade, de sua própria existência. Desprezando as verdades ocultas do mundo, deixando de lado o respeito à natureza e principalmente promovendo a desagregação entre os seus pares. Pobre “ser humaninho”.


Rodolfo S Cerveira